Investigando políticas contra golpes com IA por meio de campanhas de ativismo
23 de Julho de 2026
Hoje, o Comitê anuncia um novo caso para análise. Como parte desse processo, indivíduos e organizações são convidados a enviar comentários públicos por meio do botão abaixo.
Seleção de casos
Como não é possível analisar todos os recursos, o Comitê prioriza aqueles que podem afetar um grande número de usuários no mundo todo, que tenham relevância crítica para o debate público ou que levantem questões importantes sobre as políticas da Meta.
O caso anunciado hoje é:
Vídeo de campanha de doações produzido por IA potencialmente enganoso
2026-044-FB-UA
Apelação do usuário
Envie um comentário público usando o botão abaixo
O Comitê selecionou um caso envolvendo um vídeo gerado por IA de um monge que aparenta fazer parte da Caminhada pela Paz e pede apoio, com um link para uma página na plataforma de assinaturas Patreon. A publicação se refere aos monges como “nós” e “nos”, e a biografia da página informa: “não oficial”. Nos últimos anos, os golpes nas mídias sociais se tornaram um problema global. Este caso permitirá que o Comitê examine como mídias manipuladas podem ser usadas em campanhas de doação potencialmente enganosas.
A Caminhada pela Paz foi uma marcha pela paz apartidária realizada por monges budistas entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026. Os monges percorreram os Estados Unidos a pé para promover “harmonia e bem-estar para todos os seres vivos.”
Em janeiro de 2026, uma página do Facebook, que também informa “narrador de IA” em sua biografia, publicou um vídeo gerado por IA de um monge budista que aparentemente faz parte da Caminhada pela Paz. No vídeo, ele aparece em frente a uma placa de boas-vindas do estado americano da Carolina do Norte e diz que está “brutalmente frio” e que “nossos dedos ficam dormentes em poucos minutos”. Em seguida, afirma: “Estamos caminhando passo a passo, mas hoje está difícil”, e pede às pessoas “calor, amor e orações”. A legenda do vídeo pede apoio para “compartilhar esta jornada e ajudar a levar a paz adiante”, com as hashtags “#WalkForPeace” e “#Compassion”, além de um link para uma página no Patreon. Se um usuário clicar no link externo do Patreon, encontrará uma página descrita como um “projeto de fã não oficial”, sem “qualquer afiliação oficial”. A página do Patreon oferece níveis de assinatura paga para acesso ao conteúdo. A publicação recebeu mais de 100.000 visualizações.
Três usuários denunciaram o conteúdo quatro vezes, todos indicando que se tratava de um golpe. Um moderador analisou a primeira denúncia e concluiu que o conteúdo não violava os Padrões da Comunidade da Meta, incluindo a política de Fraude, Golpes e Práticas Enganosas. A análise automatizada da segunda denúncia chegou à mesma conclusão. A análise humana e automatizada da denúncia do terceiro usuário concluiu que a publicação não violava as políticas. O segundo denunciante recorreu da decisão da Meta de manter o conteúdo na plataforma, mas o recurso não foi priorizado para revisão humana. Como resultado, o conteúdo permaneceu no Facebook. Em seguida, o segundo denunciante recorreu da decisão da Meta ao Comitê.
O usuário que recorreu ao Comitê afirma que “a conta está enganando as pessoas, fazendo-as acreditar” que o indivíduo retratado “é um dos monges vulneráveis caminhando para Washington, D.C.” e que “usuários do Facebook estão doando dinheiro no Patreon, pensando que ele vai para os monges em sua Caminhada pela Paz”, quando “não vai” e “é tudo um golpe”.
A Meta informou ao Comitê que o conteúdo não viola suas políticas de Desinformação e Fraude, Golpes e Práticas Enganosas. A Meta afirmou que a publicação não viola a política de Desinformação que exige remoção, pois não representa risco de “dano físico iminente” nem interfere no funcionamento dos processos democráticos. A Meta também não aplicou o rótulo informativo de mídia manipulada à publicação porque ela não estava relacionada a um “evento sensível ao tempo, como uma eleição ou uma crise” e, portanto, “não apresentava indícios de urgência”, requisito necessário para a aplicação desse rótulo. A empresa afirmou ainda que o usuário que publicou o conteúdo divulga expressamente sua natureza artificial na biografia do perfil e na conta vinculada do Patreon.
A Meta também concluiu que a publicação não violou sua Política de Fraude, Golpes e Práticas Enganosas, porque o conteúdo não atendia aos critérios de enganar deliberadamente usuários para obter vantagem financeira, conforme exigido pela política. As regras sobre fraude por identidade inautêntica proíbem “deturpar a identidade de quem publica o conteúdo ou a natureza de uma solicitação”. As regras específicas aplicáveis exigem que o conteúdo solicite doações urgentes com informações de pagamento ou alegue falsamente representar uma empresa ou entidade estabelecida. Entre outros fatores, a empresa observou que a solicitação não era urgente, não mencionava dinheiro e não continha informações de pagamento na publicação. A Meta também destacou as informações no site do Patreon que deixam claro que não há qualquer afiliação oficial. A empresa também observou que a Caminhada pela Paz não era uma empresa nem uma entidade estabelecida. A Meta também destacou que o usuário que publicou o conteúdo não afirmou que o indivíduo retratado fosse um monge real, que o dinheiro enviado apoiaria um monge de verdade ou que a conta tivesse qualquer vínculo oficial com a Caminhada pela Paz. Ao contrário, a empresa considerou que o usuário divulgou a natureza artificial e a finalidade criativa do conteúdo na biografia do perfil, na página do vídeo e na página inicial do Patreon. Para a empresa, o conteúdo constitui uma solicitação de assinatura para a “produção contínua de conteúdo narrado por IA — e não um pedido de arrecadação de fundos baseado em falsa afiliação ou qualquer outra deturpação”.
O Comitê selecionou este caso para examinar como as políticas de conteúdo da Meta abordam possíveis golpes em suas plataformas, ao mesmo tempo em que protegem a liberdade de expressão dos usuários, especialmente em relação a conteúdos relacionados a eventos atuais.
O Comitê solicita comentários públicos sobre:
- A eficácia das políticas da Meta contra golpes na abordagem de campanhas de doação potencialmente enganosas.
- A prevalência de golpes relacionados a causas religiosas, sociais ou beneficentes nas plataformas, a forma como costumam ser praticados e seus impactos sobre os usuários.
- O uso de mídia manipulada para viabilizar golpes online.
- Melhores práticas e recomendações para a moderação de práticas fraudulentas viabilizadas por conteúdos gerados por inteligência artificial.
O Comitê pode emitir recomendações de políticas para a Meta. Embora não sejam obrigatórias, a Meta deve responder em até 60 dias. O Comitê, portanto, acolhe comentários públicos com sugestões de recomendações para este caso.
Comentários públicos
Se você ou sua organização acharem que podem contribuir com pontos de vista pertinentes que possam auxiliar na tomada de decisão em relação aos casos mencionados hoje, use o botão abaixo para enviar a sua contribuição. Os comentários podem ser enviados anonimamente. O envio de comentários públicos ficará disponível por 14 dias, encerrando às 23h59, horário padrão do Pacífico (PST), na quinta-feira, 6 de agosto.
Próximos passos
Nas próximas semanas, os Membros do Comitê vão deliberar sobre esse caso. Assim que chegarem a uma decisão, faremos a publicação na página Decisões.