Possíveis operações de influência patrocinadas por estados em revisão no caso do Irã
30 de Junho de 2026
Hoje, o Comitê anunciou novos casos a serem levados em consideração. Como parte disso tudo, estamos convidando pessoas e organizações a enviarem comentários públicos usando o botão abaixo.
Seleção de casos
Como não é possível analisar todos os recursos, o Comitê prioriza aqueles que podem afetar um grande número de usuários no mundo todo, que tenham relevância crítica para o debate público ou que levantem questões importantes sobre as políticas da Meta.
Hoje, os casos que estamos anunciando são:
Publicações em apoio ao governo iraniano
2026-041-IG-UA, 2026-042-IG-UA
Recursos apresentados por usuários
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O Comitê de Supervisão abordará os dois casos a seguir de forma conjunta, decidindo se defende ou invalida as determinações da Meta em cada situação.
O Comitê escolheu dois casos relacionados a conteúdos de apoio às forças de segurança do governo iraniano. Nesses casos, será analisada a forma como a Meta trata conteúdos que possam ter sido produzidos por meio de comportamento coordenado e inautêntico, como ocorre em operações de influência patrocinadas pelo Estado.
As duas publicações foram feitas por contas que tinham em seus nomes de usuário um código associado a um grupo de hackers favorável ao governo iraniano. Além disso, as duas contas haviam sido criadas menos de dois meses antes da publicação dos conteúdos. Esses indícios, juntamente com o teor das publicações, indicam que elas podem integrar uma operação de influência online. O Comitê selecionou esses casos para examinar de que maneira a Meta lida com conteúdos que possam fazer parte desse tipo de operação, especialmente quando conduzidos por atores patrocinados pelo Estado.
O primeiro caso diz respeito a uma imagem de um homem usando roupas de estilo militar, publicada no Instagram em junho de 2025, acompanhada da seguinte legenda em farsi: “Só mais um pouco de paciência, Irã.” O texto exibido na imagem afirma: “O som da união do povo iraniano está fazendo seus corpos tremerem, não está? Pelo Imam Hussein, vamos chocar o mundo. Temos dormido com nossos equipamentos de combate, aguardando vocês.” Antes de a conta ser desativada, o conteúdo havia sido visto mais de 140.000 vezes, recebido aproximadamente 5.000 curtidas e menos de 1.000 comentários.
No começo de janeiro de 2026, outro usuário do Instagram publicou um vídeo curto mostrando o que aparenta ser um comboio de motocicletas de agentes de segurança do governo iraniano atravessando uma cidade, com a seguinte legenda em farsi: “Somos devotados e nos sacrificaremos por este país e por este regime até nosso último suspiro.” A legenda também trazia várias hashtags, entre elas #Irã, #Unidade_Especial, #Protesto e #Agitação. O vídeo inclui música e uma voz cantando uma mensagem semelhante à da legenda, dizendo que eles sacrificarão suas vidas pelo Irã e pelo regime. O conteúdo ultrapassou 6 mil visualizações, recebeu mais de 300 curtidas e menos de 50 comentários.
Diversos usuários denunciaram as publicações à Meta. A empresa concluiu que nenhuma das publicações infringia suas políticas e decidiu mantê-las no Instagram. Posteriormente, um usuário recorreu ao Comitê alegando que as duas publicações fazem parte de um esforço coordenado para promover e normalizar a violência, além de funcionarem como “propaganda coercitiva” que ameaça implicitamente os dissidentes iranianos.
O Comitê destaca que grandes protestos contra o governo ocorreram em todo o Irã entre o fim de dezembro de 2025 e o fim de fevereiro de 2026. O governo iraniano respondeu com força, e os protestos se intensificaram. No início de janeiro, período em que o vídeo da carreata de motocicletas foi publicado, os protestos atingiram seu ponto máximo em tamanho e intensidade. As forças de segurança reagiram com assassinatos em massa, e o governo também bloqueou o acesso à internet em todo o país. As manifestações continuaram até meados de janeiro, enquanto uma segunda onda de protestos começou em fevereiro, pouco antes de os EUA e Israel iniciarem ataques militares contra o Irã. Por causa do bloqueio da Internet, da guerra e da proibição imposta pelo governo iraniano a muitos jornalistas estrangeiros de trabalharem no país, torna-se difícil medir a dimensão total dos protestos e dos assassinatos cometidos pelo Estado. As estimativas de vítimas variam de 5.000 e 20.000 e mais, enquanto dezenas de milhares de pessoas teriam sido presas, muitas delas submetidas à tortura e a maus-tratos.
O Comitê solicita comentários públicos sobre:
- De que forma as plataformas de mídia social devem identificar e lidar com operações de influência no ambiente digital, especialmente aquelas conduzidas em nome de Estados.
- Como costumam funcionar as operações de influência online patrocinadas por Estados, sobretudo nas plataformas da Meta.
- Qual é o impacto da propaganda favorável ao governo iraniano e das operações de influência online sobre os civis iranianos, principalmente no contexto dos protestos recentes.
- Como o governo iraniano e seus apoiadores usam as redes sociais, e em que medida fazem uso de ameaças codificadas ou incitação à violência.
O Comitê pode emitir recomendações de políticas para a Meta. Embora não sejam obrigatórias, a Meta deve responder em até 60 dias. Como tal, o Comitê está aberto a comentários públicos que proponham recomendações que sejam relevantes para os casos mencionados.
Comentários públicos
Se você ou sua organização acharem que podem contribuir com pontos de vista pertinentes que possam auxiliar na tomada de decisão em relação aos casos mencionados hoje, use o botão abaixo para enviar a sua contribuição. Os comentários podem ser enviados anonimamente. O envio de comentários públicos ficará disponível por 14 dias, encerrando às 23h59, horário padrão do Pacífico (PST), na terça-feira, 14 de julho.
Próximos passos
Nas próximas semanas, os membros do Comitê vão deliberar sobre os casos. Assim que uma decisão for tomada, ela será publicada na página Decisões.