Vídeo manipulado deveria ter rótulo de alto risco

O Comitê de Supervisão confirmou a decisão da Meta de não remover uma publicação no Facebook que compartilhou um vídeo manipulado durante uma crise política nas Filipinas, mas ressaltou que o conteúdo deveria ter sido classificado como “Alto risco” devido ao seu considerável potencial de enganar os usuários em um tema de relevância pública. O Comitê recomenda que a Meta esclareça publicamente como aplica os rótulos de mídia manipulada. O vídeo deveria ter recebido prioridade na verificação de fatos, e o Comitê observa que ele é quase idêntico a outros conteúdos que já foram verificados. Além disso, a Meta precisa fornecer aos verificadores de fatos ferramentas mais eficazes para lidar com conteúdo enganoso.

Sobre o caso

Em março de 2025, o ex-presidente filipino Rodrigo Duterte foi extraditado para o Tribunal Penal Internacional, na Holanda, para responder a acusações de crimes contra a humanidade cometidos durante seu mandato, de 2016 a 2022. Poucos dias depois da prisão, um usuário do Facebook compartilhou novamente um vídeo manipulado que havia sido publicado por outro usuário. O vídeo compartilhado mostrava imagens de um protesto na Sérvia que não tinham relação com a prisão de Duterte, com legendas e áudio adicionados para dar a impressão de que se tratava de uma manifestação pró-Duterte ocorrendo na Holanda.

O vídeo incluía uma sobreposição de texto com a palavra “Holanda”. No áudio adicionado, pessoas cantavam repetidamente “Duterte”, enquanto a música “Bayan Ko” tocava em tagalo. A canção “Bayan Ko” havia sido popular durante os protestos contra a lei marcial nas Filipinas na década de 1980.

A publicação original, que foi compartilhada centenas de vezes e recebeu cerca de 100.000 visualizações, foi sinalizada pelos sistemas automatizados da Meta como possível desinformação. A Meta colocou o conteúdo na fila online para verificação de fatos. Além disso, a empresa reduziu temporariamente a visibilidade da publicação nos feeds do Facebook de usuários fora dos Estados Unidos. Vários vídeos semelhantes se tornaram virais e foram classificados como falsos pelos parceiros de verificação de fatos da Meta nas Filipinas. No entanto, devido ao grande volume de publicações na fila, os verificadores de fatos não conseguiram analisar essa publicação específica. Outro usuário do Facebook denunciou a publicação compartilhada por disseminar desinformação. A Meta manteve a publicação no ar, e o usuário entrou com um recurso. Um revisor humano analisou o recurso e confirmou a decisão inicial. O usuário, então, levou o caso ao Comitê de Supervisão.

Principais descobertas

O Comitê concorda com a Meta que a publicação deveria ter permanecido no ar, pois não continha os tipos de conteúdo proibidos pela política de Desinformação da empresa, como debates sobre locais de votação, processos eleitorais ou qualificação de candidatos. No entanto, o Comitê observa que, além de encaminhar o conteúdo para verificação de fatos e reduzir temporariamente sua visibilidade nos feeds dos usuários, a Meta deveria ter aplicado um rótulo de “Alto risco” ao conteúdo, uma vez que ele incluía um vídeo digitalmente alterado e fotorrealista, com grande potencial de enganar o público durante um evento público significativo.

Considerando a importância de garantir transparência sobre a rotulagem de mídia manipulada, o Comitê recomenda que a Meta explique seus diferentes rótulos e os critérios utilizados para aplicá-los. Atualmente, informações mais detalhadas sobre a rotulagem de mídia manipulada da Meta estão disponíveis nas decisões do Comitê.

Além disso, a Meta deveria ter adotado medidas adicionais para assegurar que a publicação fosse devidamente verificada quanto aos fatos. Embora a Meta dê prioridade a conteúdo semelhante para verificação de fatos durante períodos eleitorais, a prisão de grande repercussão de um ex-chefe de Estado e outras crises políticas que sejam “oportunas, relevantes e consequentes” devem ser tratadas como eventos críticos aptos a verificações mais rigorosas. Além disso, após sua análise, o Comitê conclui que o conteúdo deste caso também deveria ter sido classificado como quase idêntico a material previamente verificado quanto aos fatos e rotulado dessa forma, embora reconheça que a Meta enfrenta dificuldades para fazer essa identificação em larga escala.

O Comitê destaca que vídeos manipulados podem integrar campanhas coordenadas de desinformação, nas quais conteúdos semelhantes — mas não exatamente iguais — são publicados e compartilhados com pequenas alterações destinadas a evitar a verificação de fatos. Isso torna essencial que a Meta disponha de processos sólidos para lidar com publicações virais enganosas, incluindo a priorização de conteúdo idêntico ou quase idêntico para revisão e a aplicação de todas as suas políticas e ferramentas pertinentes. Os verificadores de fatos também devem receber ferramentas mais eficazes para identificar rapidamente conteúdo viral que provavelmente esteja reproduzindo alegações enganosas.

A decisão do Comitê de Supervisão

O Comitê confirma a decisão da Meta de manter o conteúdo publicado na plataforma.

O Comitê também recomenda que a Meta:

  • Explique os diferentes rótulos informativos utilizados para mídias manipuladas e em quais situações cada um é aplicado.
  • Crie uma fila separada na interface de verificação de fatos que reúna conteúdo semelhante — ainda que não idêntico ou quase idêntico — ao material que já tenha sido verificado em um determinado mercado.

Mais informações

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